Aérospatiale/BAC Concorde

Nos anos 50 os governos dos Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido e França estavam estudando uma aeronave capaz de fazer o transporte supersônico de passageiros. A BAC (Bristol Aeroplane Company) da Inglaterra e a Sud Aviation da França começaram a trabalhar no projeto; a BAC com o seu "Type 223" e a Sud Aviation com o seu "Super-Caravelle".
Ambos os projetos foram financiados em grande parte pelos governos Britânico e Francês. E nos anos 60 os dois projetos estavam prontos para serem colocados à prova com a construção de protótipos. Porém os custos se revelaram muito altos. Sendo assim o governo Britânico exigiu que a BAC procurasse uma parceria internacional. O único país que demonstrou interesse real de parceria foi a França. Daí nascia o projeto do Concorde entre a inglesa BAC e a francesa Aérospatiale.
O nome foi um primeiro problema, "Concord" em inglês ou "Concorde" em francês. Inicialmente o nome era "Concorde", mas foi mudado para "Concord" por Harold Macmillan. Mas no rool-out da aeronave o Ministro da Tecnologia do governo Britânico, Tony Benn, mudou novamente o nome para "Concorde", o que gerou uma revolta nacionalista por parte do Reino Unido. A revolta foi controlada quando Benn afirmou que o "e" seria de "Excellence" (excelência/perfeição em inglês).
O consórcio pretendia lançar duas versões do Concorde: uma para curto e outra para longo alcance. Mas nenhuma companhia aérea se interessou na versão de curto alcance. De outro lado, a versão de longo alcance recebeu mais de cem encomendas de várias companhias no mundo, entre elas a Air France, British Airways, Japan Airlines, Qantas e Pan Am.
Dois protótipos foram construídos em 1965, o Protótipo 001 pela Aérospatiale e o Protótipo 002 pela BAC. O "Concorde 001" fez o seu primeiro voo em 9 de abril de 1969 e o "Concorde 002" em 2 de junho de 1972. Nos voos de testes o Concorde já bateu recordes, sendo a única aeronave comercial a ultrapassar a barreira do som. Foi o maior salto em velocidade de toda a história da aviação comercial mundial.
Tudo ia bem para o Concorde até que veio a Crise do Petróleo em 1973. Com as companhias aéreas em dificuldades financeiras, várias encomendas do Concorde foram canceladas. Além disso as crescentes preocupações com a poluição ambiental e sonora contribuíram para mais empresas cancelarem suas encomendas. Em 1971 os EUA cancelaram o Programa de Transporte Supersônico (SST) com os projetos da Lockheed (L-2000) e da Boeing (B2707). O EUA e outros países como a Índia, acabaram proibindo voos supersônicos no território nacional, devido à poluição sonora. Como consequência todas as companhias aéreas, menos a Air France e British Airways, cancelaram as encomendas.
A principal vantagem do Concorde era a velocidade, enquanto um jato comum levava oito horas para ir de Nova York à Paris, o Concorde fazia o voo em três horas e meia. Outra diferença era a altitude de cruzeiro: enquanto um jato comum voava perto dos 14 mil metros de altitude, o Concorde chegava a 18 mil. O voo em uma altitude mais alta dá mais estabilidade para a aeronave e as perturbações meteorológicas são quase nulas. Porém voar nessa altitude gera mais radiação para os passageiros, mas como o tempo de viajem era muito menor, o nível de radiação era igual ao dos jatos convencionais. Além disso o Concorde possuía um medidor de radiação e quando esta estava muito alta, ele descia para menos de 14 mil metros.
Em 21 de janeiro de 1976 foram iniciados os voos regulares com o Concorde pela British, na rota Londres - Bahrein, e Air France, na rota Paris - Dakar - Rio de Janeiro. Naquela época o Concorde estava proibido de pousar nos EUA, devido principalmente as manifestações populares contra os "sonic booms". Mas em maio de 1976 os voos para os EUA foram liberados e a Air France e British levaram os seus Concordes para Washington. Em 1977 foi a vez de Nova York permitir voos do Concorde. O Galeão, no Rio de Janeiro, foi um dos poucos aeroportos do mundo a receber o Concorde. O voo, que fazia escala em Dakar, durava seis horas e meia, enquanto um voo direto entre Paris e Rio pelo 747, durava 12 horas. O serviço de Concorde para o Rio foi cancelado devido à baixa ocupação em 1982.
Os quatro reatores do Concorde tinham tanta potência que em 30 segundos o Concorde já estava na sua velocidade de decolagem (360 km/h). No inicio do voo, em quanto estava sob terra, o Concorde voava em velocidade subsônica (mach 0.93) e a uma altitude de mais ou menos 9 mil metros. Depois ele acelerava para a velocidade transônica entre mach 1 e mach 1.6. Depois disso a barreira do som é rompida e o Concorde atinge a incrível velocidade mach 2 (mais de 2 mil km/h). Nessa fase o avião se encontra entre 16 mil e 18 mil metros de altura, na Estratosfera (que começa a 11 mil metros).
Em 25 de julho de 2000 o Concorde levou o seu golpe fatal com o acidente da Air France. Um Concorde da companhia caiu em Gonesse, logo após decolar do aeroporto Charles de Gaulle, matando todos os seus ocupantes. O Concorde então ficou proibido de voar em todo o mundo. Segundo a investigação oficial realizada pela Secretaria Francesa de Acidentes (BEA), o acidente foi causado por uma tira de titânio que caiu de uma aeronave da Continental Airlines. Outros contestaram o relatório da BEA, citando evidências de que o Concorde da Air France estava com sobrepeso. Mas o fato é que o acidente fez com que o Concorde passasse de aeronave mais segura do mundo para a menos segura, com 12,5 eventos fatais por milhão de voos, mais de três vezes que a segunda pior aeronave. Apesar de ter sido somente um acidente, o fato é que vários clientes nunca mais quiseram voar no Concorde.
O acidente fez com que a aeronaves ganhasse melhorias como um melhor comando elétrico, um forro no tanque de combustível e pneus mais resistentes. O primeiro voo de teste com as modificações na aeronave ocorreu em julho de 2001. Finalmente em 7 de novembro de 2001 o Concorde foi liberado para voar comercialmente novamente. Air France e British retomaram seus voos supersônicos para Nova York. Mas com o acidente da Air France e os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, fizeram com que o Concorde amargasse ocupações baixíssimas. Então em 10 de abril de 2003 Air France e British Airways anunciaram simultaneamente que iriam aposentar o Concorde no final daquele ano. A Air France fez o seu último voo com o Concorde na rota Paris - Nova York em 30 de maio de 2003. O Concorde da Air France ainda voaria levando tripulantes até junho de 2003. Já a British realizou uma "turnê de despedida" nos EUA e Canadá. Em 24 de outubro de 2003 a British finalmente fez o seu último voo regular com o Concorde para Nova York.

 


Alberto Storti

 

Origem: Inglaterra / França
Produzido: 1965-1979
Comprimento: 62,10 m
Envergadura: 25,56 m
Altura: 11,40 m
Peso da aeronave: 78,7 toneladas
Peso máximo de decolagem/pouso: 185/111 toneladas

Motores: 4x Rolls Royce Olympus
Capacidade de combustível: 119 mil litros
Velocidade de cruzeiro: mach
2.02 (2115 km/h)
Velocidade máxima: mach 2.2 (
2330 km/h)
Altitude de cruzeiro: 18 km (62 mil pés)
Pista mínima para decolagem: 2,9 km
Passageiros: 92 a 120
Alcance: 7250 km
Primeiro voo: 1969
Entregues: 14

Concorrentes:
Tupolev Tu-144
Companhia Lançadora: Air France e British Airways
Comparar com outras aeronaves

 

 

 

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